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Antes e depois do filme Por Jorge Viani Sempre fui um fã incondicional da Marvel. Nos meus tempos áureos comprava todos os títulos lançados, desde os fabulosos X-men até o Incrível Hulk. Naquela época o que eu encontrava, principalmente nos X-Men, era uma equipe solidificada (Azul e Amarela) e paralelo a tudo isso, o Wolverine, que para os fãs sempre vai ser aquele cara que corre por fora. Mas isso foram outras épocas. Foram-se as épocas em que os X-men conflitavam inimigos próximos, inimigos que tramavam contra eles e contra o mundo. Foi-se o tempo em que os valores éticos ensinados por Xavier faziam a diferença para todos os personagens e até para muitos leitores. Foi-se o tempo em que os valores cada vez mais humanos dos X-Men contribuíam para seu fortalecimento, tanto como indivíduo como dentro da equipe. É. Foram-se esses tempos. De uns tempos para cá, alguns acontecimentos na grande mídia mudaram o mundo em que estamos e conseqüentemente o mundo que criamos. Em 1999, vinha a tona Matrix, dos irmãos Wachowski. Um filme que primava principalmente por instaurar na sociedade uns sentimentos futuristas, cibernéticos e “dark”. Esse clima principalmente dark foi o que mais se fortaleceu, principalmente entre os jovens, facilmente influenciáveis que passavam a usar óculos escuros até para tomar banho e preto até nas cuecas. Quem conviveu com o alarde que Matrix fez na época talvez lembre de como era ridículo ver aquela garotada de 11, 12 anos ir pro colégio de óculos escuros e sobretudo e achar que está abafando. Outro filme que surgiria naquele mesmo ano seria carregado dessas tendências “matrixianas”; X-Men, O filme. Antes de qualquer coisa, não estou criticando puramente o projeto do filme dos X-men, mas as circunstancias a qual ele foi moldado e as conseqüências que ele teve principalmente nos quadrinhos. Toda aquela tendência de roupas escuras e ficção científica (que o próprio diretor do filme defendeu) é ridícula em comparação aos quadrinhos. E mais, quem eles pensam que são para criticar os uniformes da equipe nos quadrinhos? Diversas citações em que eles ridicularizam o possível uso de um colante amarelo deixam claro uma coisa; O filme foi feito para mudar os X-Men e eis que ocorre o quê? Mudança nas histórias é claro. Os roteiristas e desenhistas devem ter ficado com tanto remorso que se sentiram obrigados a dar aquela reformulada geral nos personagens, deixando-os mais modernos. Palavra que me causa aversão. Os X-men passaram a usar roupas IDÊNTICAS às do filme. Ciclope passa a usar aqueles óculos idiotas e uma jaqueta preta com um horrível X amarelo. Medonho. E o que dizer de Wolverine? Além da manjada jaqueta, lhe jogando fora o uniforme, ainda lhe tiram suas características costeletas e lhe põem uma barbicha. Porra, as costeletas do Wolverine só não são mais famosas do que as do Elvis. Além disso, as histórias viraram um emaranhado interminável de realidades alternativas que chega a desencorajar qualquer leitor em potencial, além da criação de inúmeros personagens menores e descartáveis. Para mim a última grande saga dos X-men foi o “Massacre”, onde nos deparávamos com os X-men se destruindo para derrotar um inimigo há muito infiltrado na equipe e onde tínhamos o Wolverine em seu estado mais bestial e animalesco. Contudo, a melhor saga de todas, foi ironicamente a “Era do Apocalypse”. Justamente essa que deixou claro para os roteiristas que o tema realidade alternativa ainda tinham muito leite para ser tirado. Na minha opinião, a Marvel deveria fazer o que a DC fez anos atrás. “Dá-lhe Crises nas infinitas terras” e faz a rapa nos personagens terciários que hoje infestam a revista e, por favor, que repensem o que os X-men sempre foram e o que eles querem que sejam, porque se forem acompanhar todas as tendências que surgem no cenário mundial, em breve veremos Wolverine e companhia criando Digimons e Yu-Ghi-Ohs pra lutarem por eles.
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