\n'; document.write(barra); } } changePage();
UM QUADRINHO SIMPLES E ORIGINAL
POR MARCELO MARAT
As
Histórias em Quadrinhos brasileiras contam com grandes nomes entre seus
desenhistas, mestres do traço que estão no mesmo nível de qualquer referencia
mundial: Flávio Colin, Julio Shimamoto, Mozart Couto, Edmundo Rodrigues, entre
tantos outros. Mas às vezes surgem desenhistas cujo talento nao se destaca pelo
traço técnico, acadêmico ou caprichado, mas pela subversão dessa ordem. Eles
criam sua própria linguagem e transmitem mensagens de maneira eficiente, tão
bem ou até melhor que muitos profissionais. Foi o caso de Henfil, com seu
desenho caligráfico, ou mesmo Maurício de Sousa e seus bem sucedidos
personagens, que a princípio apresentavam uma imagem bem diferenciada da atual.
Henfil influenciaria outros criadores na mesma linha, como Glauco, Laerte e
Fernando Gonsales, e se tornaria referencial. Maurício seguiu outra linha, mais
influenciado pela visão comercial de Disney, mas não deixaria de ter seu nome
inscrito nessa história, com sua devida importância.

Na linha de Henfil, surgiu há cerca de cinco anos, no meio dos fanzines, um desenhista que usa a mesma técnica primitiva para fazer humor, com muita expressividade. É o LAÉRÇON SANTOS, do zine BOCA SUJA. Chamar de tácnica parece exageiro, pois seu traço vai mais pela intuição, com bonequinhos finos e cabeçudos, do tipo que se faz na infância. Se Henfil era caligráfico, LAÉRÇON está mais para hieroglífico, com suas figuras humanizadas se prestando à reprodução de letras e sons vocálicos. Assim como Henfil, suas histórias primam pelo politicamente incorreto. Seus personagens são amorais e possuem todos os defeitos imagináveis. De fato, o humor de Laérçon não é para olhos sensíveis ou para pessoas que se levam muito a sério. A HQ brasileira já viu um humor igualmente corrosivo no personagem de Péricles, o "Amigo da Onça". Em Laérçon, essa tradição se mantém, com a vantagem de que ele tem uma lista muito maior de personagnes para zoar: os "Paraibanos de Subúrbio", "Zé Boy", "Afras", "Pai Cão", "Fagundes, O Pato de Botas" e o próprio Laérçon, que aparece como um dos personagens e não escapa de suas próprias ironias.
Embora eu acredite que o trabalho
de Laérçon é perfeitamente admissível
em tiras de jornais ou
revistas comerciais de quadrinhos, é preciso reconhecer que sua liberdade criativa
só é possível
nos fanzines e edições independente. A linguagem chula, a quadrinização
caótica, o acabamento tosco e os balões por vezes apinhados de palavras podem
assustar a princípio. Mas só quem for muito casca grossa ou mau humorado nao
vai rir das pirações desse quadribista maluco. Laérçon pode não ser nem um
Henfil em essencia, mas sabe escrever sua
própria história, com muito humor!
MARCELO MARAT é roteirista e editor independente. Para contatos, escreva para: TRAVESSA LOMAS VALENTINAS, 1839, MARCO, BELÉM, PA, CEP.: 66.087-440, BRASIL.