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SIMPLES? EDIÇÃO #5 DE 2000 - CONSUMO INTELIGENTE |
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| "A humanidade se encontra
num momento de definição histórica. As disparidades entre as nações, o agravamento da
pobreza, da doença e do analfabetismo e, acima de tudo, a deterioração contínua dos
ecossistemas, só poderão ser melhorados se dedicarmos mais atenção ao meio ambiente e
seu desenvolvimento." É isso que diz a Agenda 21, proposta mais séria até hoje formulada para se alcançar o tão desejado desenvolvimento sustentável, assinada por 180 países durante a Eco 92, no Rio. Mas, afinal, o que vem a ser desenvolvimento sustentável? Na definição de Ângela de Melo Saraiva, da ONG 5 Elementos, voltada para a educação ambiental - "'é o desenvolvimento que supre todas as necessidades atuais sem comprometer os recursos naturais para as futuras gerações". Intimamente ligado ao desenvolvimento sustentável está o conceito de consumo inteligente, ou seja, consumir com consciência e responsabilidade, tendo em mente o impacto que o lixo gerado por cada produto consumido pode causar sobre o ambiente. Por lixo, entenda-se basicamente todo e qualquer resíduo procedente de atividades humanas ou gerado pela natureza em aglomerados urbanos. Não há lixo sem consumo. Isso é fato. Mas o que você tem a ver com tudo isso? Agenda 21, desenvolvimento sustentável, consumo inteligente, ONGs, lixo? Muito mais do que imagina. Todos nós somos consumidores e, alguns, dos bons. Dizem os dados que cada paulistano produz aproximadamente 1 kg de lixo por dia, sendo metade dele inorgânico e reciclável - papel, metal, vidro e plástico. Só as embalagens representam 31% desse lixo (temos o terceiro lixo mais rico do mundo, perdendo somente para Nova York e Tóquio). A outra metade é composta de resíduos orgânicos. Já o lixo médio domiciliar do país é composto por 65% de matéria orgânica e 35% de materiais recicláveis. "As pessoas pensam que colocam o lixo na porta de suas casas e ele desaparece num passo de mágica", diz Ângela. O Brasil produz 241 mil toneladas diariamente e 76% de todo esse lixo vai para os lixões, depósitos a céu aberto que são fontes de graves riscos sanitários e ambientais. O que fazer com todo esse lixo? Esse é um problema amplamente discutido por ambientalistas do mundo todo. Para quê reciclar? O raciocínio é simples: reciclando, diminuímos a necessidade de produção daquele material. Isso por sua vez, diminui a extração de matérias-primas da natureza, reduzindo a exploração do meio ambiente. Assim usamos menos aterros, reduzindo a contaminação do solo, dos rios e oceanos. E além disso, a reciclagem pode gerar renda e empregos em sua comercialização. Um novo paradigma Mudanças de atitudes, baseadas na consciência de que é importante repensar o consumo para salvaguardar o futuro, são muito difíceis. Estamos dispostos a agir somente quando vemos alguma possibilidade de lucro imediato e pessoal. É preciso compreender que nossas atitudes de consumo, mesmo as mais corriqueiras, geram um impacto ambiental que não percebemos de imediato. Até os cientistas que estudam a neve da Antártida, os peixes de mares profundos e as águas subterrâneas encontraram resíduos químicos deixados pelo homem! Rótulos são confiáveis? A utilização do CFC está proibida no país. Mas quem pode garantir que frases como "não agride o ambiente" ou "produto reciclável", que aparecem cada vez mais nos rótulos dos produtos são verdadeiras? "Ainda não temos uma legislação eficaz a respeito desse tema. A rotulagem ainda confunde o consumidor", afirma Marcelo Sodré, membro do Conselho Consultivo Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). "Se os consumidores forem bem informados, poderão fazer suas opções ambientalmente corretas". "Falta informação. As pessoas não sabem os danos que certos produtos podem causar", afirma Ângela Saraiva. "As baterias e pilhas, inclusive as de celular, têm em sua composição metais pesados como chumbo, cromo e cádmio, que não se degradam e são extremamente nocivos". Segundo Cristina Bonfiglioli, do Greenpeace, pilhas e baterias deveriam ter o rótulo indicando claramente sua composição e orientando o consumidor a tratá-las como lixo tóxico. O ideal, no entanto, é que as industrias reduzam a toxidade de seus produtos e fabriquem mais pilhas recicláveis. |
CONSUMIR
OU NÃO CONSUMIR? EIS A QUESTÃO.
Ninguém mais acredita que o desenvolvimento tecnocientífico transformará a sociedade atual num paraíso onde todos serão incluídos. O fato é que, hoje, a desigualdade é maior do que nunca: 20% da população mundial consome 80% dos recursos produzidos no planeta. O incrível crescimento das verbas publicitárias (700% desde 1950) ultrapassou em 1/3 o da economia mundial. O supérfluo se tornou sinônimo de status. Nos últimos 20 anos, o número de rádios vendidos na África aumentou 400% e na América Latina o consumo de televisores cresceu 500%. Consumo exagerado é fruto de carência. Não da carência por necessidade, que escraviza os pobres, mas da carência do âmbito do desejo, que move o consumidor. A identidade social de cada um se afirma na esfera do consumo. Consumir e sobreviver reforçam-se mutuamente. A incerteza com relação ao futuro faz com que a luta pela sobrevivência, o darwinismo social, se instaure através da antecipação. E a aceleração tecnológica e econômica torna absoleto amanhã o que é consumido hoje. "O crescimento das necessidades materiais causado pela sociedade pós-industrial vem abrindo mão de uma série de valores de convivência e ética nas relações em nome do poder aquisitivo, imagem, coisas superficiais", acredita Ângela. ENERGIA INTELIGENTE Mas o consumo inteligente engloba o uso consciente de energia e recursos naturais, como a água e a eletricidade. "Creio que estamos chegando a uma nova era, mas que não sabemos exatamente qual será, pois recursos naturais como a água, estão prestes a se esgotar", afirma Ângela. A água é um recurso finito e limitado e está cada vez mais escassa. De toda a água do mundo, só 1% é doce, própria para consumo humano. O restante ou é salgada (97%) ou existe na forma de geleiras e icebergs (2%). Para você não esquecer, aqui está um resumo dos deveres do consumidor. Ou um dia você chegou a achar que só existiam direitos? PEQUENO MANUAL DO CONSUMIDOR INTELIGENTE (VOCÊ)
EXEMPLOS PRÁTICOS:
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