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mim quer tocar

por Abonico R. Smith 

"Pop pervertido", que não se encaixa nos padrões exigidos pelas grandes gravadoras nacionais. Assim Eva Leiz define o trabalho que está fazendo. Ex-integrante do grupo punk carioca Polux, ela mudou de nome e de identidade sonora. Assinando apenas como o alter-ego mim (escrito assim mesmo, com a inicial minúscula) e co-produzida por integrantes do Vulgue Tostoi, está chamando a atenção com um minidisc com três músicas que vão do trip hop melancólico ao hardcore eletrônico. Antecipa este nome que ainda vai dar muito o que falar.

 Eva Leiz mudou de nome e de praia. Depois de militar por anos no punk rock com o finado grupo carioca Polux, ela agora assumiu nova identidade. Com seu alter-ego singelamente batizado mim (inicial com minúscula), ela volta a fazer barulho, desta vez utilizando muito suporte eletrônico.

 Bastante ativo no underground do Rio de Janeiro, seu novo projeto tem três músicas circulando (em um simpático minidisc de monocromática capa lilás) entre formadores de opinião e pessoas mais antenadas do país inteiro. Ainda não ganhou as lojas e, no que depender da cegueira das grandes gravadoras, só o fará em algum selo independente nacional. Afinal, Eva chama o que faz de "pop pervertido", um pop que não se encaixam no inflexível e ultrapassado padrão sonoro estabelecido pelo mercado.

 Co-produzida por músicos experientes do Rio de Janeiro (como o pessoal do Vulgue Tostoi, outra banda de "pop pervertido" que inexplicavelmente permanece à margem das emissoras de rádio e televisão), Eva vai do trip hop ao technohardcore. Sempre caprichando em melodias simples e letras simples, falando de amor, da vida, do tempo.

 "Hoje" abre o minidisc convidando para a fossa e a melancolia. "Hoje um pedaço de mim terminou/ Como uma xícara de café/ Que chega ao fim num sonho ruim/ Não falo mais o que dizia/ Não penso mais o que fazia/ Não entendo você/ Me deixaram só/ Sem ninguém ao meu redor/ Sem nada para me amparar/ Caí num imenso sono/ Não posso levantar", sussurra Eva sobre BPMs totalmente desacelerados. Além de emocionante, serve para demonstrar que, apesar da praia e do sol, o Rio de Janeiro também pode gerar trip hop tristonho e melancólico.

 "Eu te Amo" dá uma suingada no som da moça. A batida ganha um quê de baião, o arranjo transforma tudo em música pop nacional. E a letra é uma entrega total ("Eu te amo e sempre amarei, meu bem" repete o refrão).

 Já "Por que", cantada meio em português meio em espanhol (lembrando as origens de Eva, que nasceu na Argentina), aponta para outra direção, radicalmente diferente. É um technohardcore que prega a felicidade acima de tudo, seja comendo um bolo de leite ou filmando um pornô com as amigas.

 Parafraseando o Ultraje a Rigor, mim quer tocar. E se depender da qualidade de suas três primeira músicas, merece mesmo ganhar dinheiro...

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