MANGÁ, novidade ou pioneiro das HQs?

MANGÁ

Nova Modalidade de Quadrinhos ou o Pioneiro das HQs?

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Yoshitaka Amano, de Vampire Hunter D e Sandman. Um artista japonês de fama internacional. 

O que a grande maioria das pessoas sabe sobre os desenhos japoneses (aquelas que o conhece, evidentemente), que mangá é a História em Quadrinhos japonesa e que qualquer ilustração de olhos grandes e cabelos espetados é, erroneamente, mangá. Tanto a sua tradução literal quanto ao seu sentido vão muito além desses conceitos medianos. Existe uma longa história por trás do mangá. Como se sabe, os povos orientais são os mais antigos ainda vivos. Foram eles que interaram o papel, o nanquim, a aquarela... e as HISTÓRIAS EM QUADRINHOS!

A primeira HQ que se tem notícia foi criada no século XII, pelo monge budista chamado Toba. O monge, que deveria ser um cara de muito bom humor, publicou uma ilustração com texto satirizando os nobres e os religiosos japoneses (Tá legal, os experts dirão que Toba fez foi um cartum, mas não sejamos tão radicais! Se for pra ser radical, vamos dizer que os japoneses são inventores dos cartuns e charges também, o que deve ser bem provável, já que o que Toba fazia era algo desse tipo!). Foram utilizados blocos de madeira para impressão em papiros de pergaminho animal (seriam os primórdios da xilogravura e clichê?).

Algo também, que faz parte até hoje da decoração das casas japonesas (e também mundo afora ...), são os biombos, divisórias móveis que são usadas para trocar de roupa, esconder uma parte naturalmente bagunçada da casa ou simplesmente para decorar e dividir o ambiente. Há séculos os japoneses usam essa bela peça chamada biombo, mas elas primeiramente eram todas decoradas com pinturas onde contava-se uma história ou lenda local, unindo desenhos à textos; como os biombos são várias placas unidas por dobradiças     ou algo que as prendam umas nas outras no mesmo instante que lhes dê mobilidade, as histórias que eram decoradas nos tais biombos eram contadas por placa, geralmente com a pintura do desenho cobrindo o biombo por inteiro sem interrupção e os textos iam sendo colocados em cada placa. Isso seria ou não uma arte seqüencial?

Porém, ainda assim, apenas em 1814 a palavra MANGÁ foi criada para designar os desenhos de humor japoneses. KATSUSHIKA HOKUSAI, um famoso ilustrador japonês da época, deu-lhe essa denominação, para designar um próprio trabalho seu, a MITO (histórias do dia a dia). Mangá significa DESENHO (GA) INVOLUNTÁRIO (MAN). A HQ propriamente dita, com ilustrações em forma seqüencial, textos e diálogos em balões, só foi desenvolvida no final do século XIX, com a importação de publicações dos Estados Unidos que continham tiras de quadrinhos. Os japoneses gostaram tanto da idéia que a aproveitaram, adaptando-a ao seu gosto e interesse.

O mangá que hoje conhecemos, com dramaticidade, ressaltando os sentimentos humanos em relação ao ambiente, foi desenvolvido por OSAMU TEZUKA (de Kimba, O Leao Branco; A Princesa e O Cavaleiro, Black Jack, entre tantos outros), que não é considerado de "deus do mangá" a toa. Até então, as HQs eram meras inanimações de um teatro grego. Tezuka (que já esteve no Brasil no início da década de 80) decidiu usar em suas histórias em quadrinhos as técnicas usadas no cinema, como ângulos de câmeras, fotografia, o impressionismo do cinema alemão de 1930 (alcançando seu êxtase com Metropolis), dentre outras coisas da cinemática. Palavras, sentimentos e emoções transformaram-se em imagens; o que era abstrato vira concreto através do desenho.

Osamu Tezuka foi o maior revolucionário dos quadrinhos japoneses, influenciando até mesmo desenhistas estrangeiros (Maurício de Souza é um deles...), mas foi SANPEI SHIRATO que conseguiu o devido respeito aos quadrinhos pelos intelectuais. Em 1964, Shirato cria a série de mangá KAMUIDEN ("A Lenda de Kamui"), que conta sobre a revolta dos camponeses contra os senhores feudais, provando que os quadrinhos podem ir muito além de um simples entretenimento para mero passatempo.

As revistas de mangá começaram a se desenvolver mesmo somente após a 2º guerra mundial. A produção era artesanal e, ao invés da venda, as revistas eram alugadas em lojas de aluguel de livros, chamadas Kashi Honya. Posteriormente, com crescimento do gosto do público por esse tipo de publicação, as kashi honya transformaram-se em editoras e passaram a produzir os mangás em escala industrial... e põe escala industrial nisso!

Hoje, os números são assustadores em tudo que se refere ao mangá. Atualmente conta-se com mais de 270 títulos de revistas dispostas no mercado japonês, com 15 à 20 títulos de mangá por revista! A cada ano, a venda das revistas chegam ao valor de mais de 5 bilhões de reais, mais de dois bilhões de exemplares vendidos, o que daria uma revista de mangá para cada 3 habitantes do planeta! O recorde de venda de um mesmo número de revista também é a do mangá: a SHONEN JUMP, revista com quadrinhos destinados à garotos adolescentes de 12 à 16 anos, teve uma venda de 6.500.000 de uma mesma edição, e a revista é semanal! E ainda há as revistas amadoras e independentes, chamadas doujinshi (que é o mesmo que os fanzines aqui, mas a semelhança só fica nos ideais de ambas). Algumas com excelentes qualidades gráficas (algumas tem capa dura e papel de seda ou arroz por dentro), chegam a vender 10.000 exemplares de uma única edição! Acredite, até fanzine no Japão dá dinheiro! Numa convenção que quadrinhos que ocorreu em 2001, reuniu 22.000 grupos de fanzineiros e, bem isso já é pra um outro assunto.

Essas "revisitinhas" vendem como água no deserto. É, sem dúvidas, um dos melhores meios de comunicação no Japão. Com todo esse potencial, não é de se estranhar que muitos possam usá-la para manipular a opinião pública e até fazer novos adeptos para seitas. No inicio da década de 90, o líder da seita Aun Shinrikyô ("Verdade Suprema"), Shôkô Asahara, contratou um estúdio de mangá para divulgar suas idéias através dos quadrinhos. E o cara não parou por aí; através de mensagens subliminares, a imagem de Asahara foi inserida a cada 12 quadros por segundo (que em tempo daria 0,5 segundos), num episódio da série animada de CITY HUNTER, o que ocasionou o súbito cancelamento do anime. Mais tarde, em março de 1995, a seita detona gás sarin (que causa a destruição do sistema nervoso) no metrô de Tokyo. Resultado: 11 mortos e 5.500 feridos. Os débeis religiosos foram em cana e o mangá foi totalmente retirado do mercado.

E enquanto aqui nós pobres mortais brasileiros temos que aturar políticos fazendo propaganda de graça na tv e sujando a cidade com papeletas, cartazes, faixas, para mostrarem suas megalomanias, no Japão os caras se utilizam de uma poderosa arma chamada mangá! O Primeiro Ministro Kiichi Miyazawa utilizou-se dos quadrinhos nas páginas da revista BIG COMICS SPIRITS, travando semanalmente sérios discursos políticos. E nas salas de aula é utilizado o mangá GENJI MONOGATARI, que é a transposição quadrinística de um romance homônimo, escrito por MARASAKI SHIKIBU, um DAMA da Corte Imperial da Era Heian (794~1192 d.C.). Enquanto as mulheres ocidentais só pariam, lá elas escreviam romances! Um dos mais antigos romances já escritos, Gengi Monogatari foi quadrinizado pela desenhista WAKI YAMATO, sob o título "ASAKI YUME MISHI - GENJI MONOGATARI", editado pela Kodansha e transformado em desenho animado em 1987 pelo diretos GISABURO SUGGI (o mesmo de Street Fighter II e SFV).

Da bíblia às complexas e polemicas tramas políticas, históricas e culturais, passando pelo erotismo e táticas de guerra, no mangá não só tudo pode como tudo acontece, e muitas vezes marca gerações!

Pat Kovacs!

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Masamune Shirou, um cara que não segue os padrões comerciais de publicação. Trabalha sozinho, passa vários meses aprontando uma série e lança-a diretamente em versão encadernada.

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Um belíssimo exemplo de uma HQ feita para o público feminino. Note a  delicadeza da arte, quase poética. No mangá feminino (shoujo mangá), é muito comum a androgenia, devido muito à delicadeza do próprio estilo.

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Ranma 1/2, de Rumiko Takahashi; uma das poucas mulheres a produzirem histórias exclusivamente para garotos.

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Dead Or Alive: A beleza do traço em estilo mangá, apenas no esboço a lápis...

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Neon Genesis Evangelion, agora sendo publicado no Brasil. A inovação desta história de robôs sendo pilotados por adolescentes está na inserção maciça de elementos da cultura cristã. Nada igual, nem antes e nem depois.

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Akira, de Katsuhiro Otomo. Um autor e diretor de obras bem fora dos padrões. Mangá de grande sucesso no Brasil e EUA, mas isso se deve mais em estar no lugar certo na hora certa.

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Bishonen, é assim que se chama os homens de traços delicados que geralmente povoam o shoujo mangá, como em CardCaptor Sakura. Um estilo muito comum de mangá.

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No Brasil, o estilo mangá chega pra ficar após Os Cavaleiros do Zodíaco, em 1995, resultando em muitos adeptos desse estilo de desenhar, onde vai da mais simples cópia do estilo comum à...

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...mistura de várias outras influências, fazendo surgir novos estilos com personalidades próprias.

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Ilustração também de Amano. Com um estilo e beleza únicos, seu traço é inconfundível. Mora atualmente em N. York.

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Battle Angel Alita. Meio mangá, meio comics. Por essa razão é muito apreciada nos EUA.

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Blade, The Immortal. Também com uma arte singular, onde mistura-se nanquim, grafite e retículas, com traços tão leves que parecem ter realmente movimento.

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Mangá feito por amador - ou fanzineiro. Esse pertence a um estilo muito popular: Hentai.

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O erotismo japonês tem várias faces: do entediante lugar comum de qualquer pornografia à...

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...fetiches muito estranhos e bizarrices, que vão da pedofilia à sadomaso extremamente violentos. Transa com demônios, plantas e animais também é muito comum!

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 Capa de uma HQ hentai aprontando com a série CardCaptor Sakura. Pedofilia e incesto pouco é bobagem.

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A,A Megami Sama ou Oh! My Goddess. Mangá para adolescentes, que trata de romance entre humanos e deusas, com narrativa e desenho bastante femininos, mas que é a criação de um homem, Kosuke Fujishima.

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Dragon Ball, uma longa série de mangá que durou 10 anos e com (+-) 8.200 páginas de quadrinhos. Sua série de desenho animado é a 3º mais longa série já produzida no Japão, com mais de 500 episódios!