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Jornal Essência Vital - "A Água Pede Socorro" - Edição 44 de maio de 1999. |
| Voltar ao índice Evitar o desperdício fútil de água potável, como veremos, pode evitar um colapso mundial que ameaça colocar em perigo a soberania entre os países. Como assim? Basta dizer que países como a Arábia Saudita, China e Estados Unidos, entre outros, dentro de mais alguns anos passarão por uma crise crônica de falta dágua, e o Brasil "continuará" sendo aparentemente um país felizardo pois é riquíssimo deste bem tão precioso. Mas quando a água acabar em tais países, onde será que eles irão buscá-la? Dessalinização das águas dos mares é muito caro e o mais barato será virem bater à nossa porta e dificilmente aceitarão um "...hoje não, voltem amanhã." Hoje usufruímos certa tranqüilidade diante da questão, mas não tarda, o clima mudará de figura e aí meu nego, se segura que a barra vai pesar, ou melhor, a água vai faltar! Segundo o Banco Mundial, uma futura e provável guerra pela água no planeta só seria evitada com investimentos de 800 bilhões de dólares nos próximos 10 anos. Diga-se de passagem, todo este dinheiro serviria para acabar com a fome em todo o mundo 200 vezes, ou seja, uma grana muito violenta, devendo, portanto, ter que existir uma outra saída para a questão. A ONU alerta que nos próximos 25 anos cerca de 2,8 bilhões de pessoas quase a metade da população mundial poderão viver em regiões de sede crônica e que, já hoje em dia, a escassez hídrica atinge países como o Kuwait, Egito, Arábia Saudita, Líbia, Tailândia, Jordânia, Argélia, Bélgica e Israel. E em breve, será a vez do México, Hungria, Índia, China, Estados Unidos, Síria, Etiópia e Turquia. (Fonte CREA-RJ) Em março de 98, Paris abrigou um encontro internacional que reuniu centenas de cientistas do mais lato nível para debaterem sobre o mais grave problema do século: a escassez de água no planeta. A preocupação mundial faz sentido. Hoje, está ficando cada vez mais difícil encontrar água de qualidade, tanto para uso doméstico, como para irrigação. Isso porque os rios foram transformados em caudalosos depósitos de lixo e poluentes. A degradação causa dois crimes ambientais: aniquila os peixes de água doce e compromete as águas que irão chegar nos oceanos, colocando em risco toda a vida marinha. O fato, de tão sério, foi o tema central da Expo 98, a exposição internacional em Lisboa onde comemorou-se o Ano Internacional dos Oceanos. Segundo os cientistas reunidos em Paris, a escassez de água, líquido indispensável para a vida e essencial às principais atividades econômicas, como a agricultura e o resfriamento de instalações industriais, poderá afetar o desenvolvimento de países emergentes e, pior, desencadear conflitos entre nações em regiões já instáveis politicamente, como o Oriente Médio e a África. Em alguns países, como Tunísia, Israel, Jordânia, Líbia, Malta e territórios palestinos, a escassez já atingiu níveis perigosíssimos: existem apenas 500 metros cúbicos/ano por habitante, enquanto estima-se que a necessidade mínima de uma pessoa seja de 2 mil metros cúbicos/ano. De acordo com o relatório da ONU, divulgado após a Conferência Internacional Sobre a água em Paris, hoje vivesse uma crise global da maior gravidade e, se os atuais meios de exploração dos recursos hídricos da Terra não forem revistos, dois terços da população mundial vão passar sede até 2005. "No planeta já existem 70 regiões em confronto pelo controle de fontes de água potável", alertou o presidente francês Jacques Chitac, ao final do encontro. Parece incrível que o planeta Terra, com 75% de sua superfície líquida, se preocupe com a falta dágua. O problema é que 97% das água estão nos oceanos e, portanto, salgadas e de difícil utilização. Os outros 3% são de água doce. Desses, 2% estão compactadas nas calotas polares em forma de geleiras e só 1% pode, de fato, ser explorada. Mas ainda há outra enorme restrição: boa parte desse 1% não são águas superficiais, que estão presentes em rios e lagos, e sim subterrâneas. Como vemos, a água, do modo como dela precisamos, não é um bem tão abundante ao ponto de nos darmos ao luxo de desperdiçá-la. Um outro problema é a má distribuição das águas superficiais do planeta. A desigualdade é enorme: enquanto a água é abundante, por exemplo, no Sul do Brasil, ela é sinônimo de pobreza e morte no Nordeste brasileiro e na África. As cenas chocam, mas é comum mulheres e crianças nordestinas e africanas andarem horas a fio para buscarem uma lata dágua em fontes distantes, enquanto nós, alienadamente, com a torneira aberta, em alguns minutos desperdiçamos litros para uma simples escovagem de dentes ou lavagem de pratos. Precisamos ser mais claros ou você entendeu o toque?
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Em
países árabes já é utilizado o processo de dessalinização da água
do mar. Mas é caro e não produz quantidades expressivas. Uma outra
saída já pensada foi a de rebocarem blocos de icebergs dos pólos até
os tórridos países. Tornou-se inviável financeiramente. De acordo com o professor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo e pesquisador do Centro de Pesquisas de Água Subterrânea (CEPAS), José Milton Benetti Mendes, a solução grave do problema da distribuição desigual da água no planeta está alguns metros abaixo de nossos pés. "Hoje, sabe-se quanto e onde tem água subterrânea. Há imensos depósitos em várias regiões da Terra. Em Israel e no semi-árido do centro-oeste americano, por exemplo, a captação de água subterrânea permitiu a essas regiões excelentes resultados na agricultura". Segundo o professor Benetti, a solução definitiva para a problemática crônica do Nordeste brasileiro está na captação de água subterrânea – que existe em abundância no solo brasileiro – através da perfuração de poços, o que não só ocorre no Brasil, devido à vergonhosa postura dos governos estadual e federal, que possuem interesses políticos sórdidos com a manutenção dos bolsões de miséria nordestinos. Povo pobre e enfraquecido é mais fácil de manipular e conquistar voto. É um crime um presidente como este que nós temos desfilar na maior cara de pau uma postura de que está tudo bem e que o Brasil está no rumo das conquistas de igualdade social, enquanto reduz os investimentos em cestas básicas e frentes de trabalho no Nordeste, deixando também de construir os necessários e numerosos poços para captação de água subterrânea que acabariam rápida e definitivamente com o sofrimento do povo daquela região. O Brasil, além de ter 8% de toda a água doce do planeta, foi abençoado em relação às reservas subterrâneas. Estima-se que o país detenha cerca de 112 bilhões de metros cúbicos de água subterrânea. E mais: o subsolo brasileiro abriga um aqüífero como são chamados os depósitos de água subterrânea que está sendo considerado o maior reservatório subterrâneo do planeta. Essa riqueza geológica foi chamada inicialmente de Sistema Botucatu, mas devido a sua abrangência foi rebatizado como Aqüífero Guarany ou Mercosul. Esse gigantesco manancial subterrâneo de água estende-se por uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, sendo que dois terços estão em território brasileiro e o resto pegando parte do Paraguai, Argentina e Uruguai. "A quantidade de água do aqüífero seria suficiente para abastecer os 150 milhões de brasileiros por mais 2 mil anos", garante o geólogo Ernani da Rosa Filho, a Universidade Federal do Paraná. A água dos mananciais subterrâneos é puríssima, pois através das chuvas, ao penetrar no subsolo, é filtrada naturalmente por centenas de metros de rochas. Mas os cientistas alertam que é preciso muito cuidado para não prejudicarmos essas imensas cisternas naturais de água doce poluindo-as. Polui como? Através do solo. Existem materiais altamente tóxicos que, quando descartados e em contato com o chão, contaminam o solo e a água, então, ao ser drenada por esse tido de superfície, passa também a se tornar contaminada. Mais um motivo para os governantes incentivarem os processos de reciclagem de lixo, ao invés de apenas coletá-lo e jogá-lo a céu aberto em terreirões. "Bem, mas enquanto ainda fazemos uso dos recursos hídricos de superfície, o negócio é cuidarmos melhor de nossos mananciais e rios, evitando o despejo de poluentes e resíduos químicos, assim como os desperdícios de água", como afirma Teia Magalhães, da Água & Vida, uma organização não-governamental ambientalista. Teia Magalhães arremata: "Devido ao crescimento populacional, os reservatórios próximos à cidade estão no limite e já está se tornando necessário buscar água em rios distantes. E quanto mais contaminada e distante estiver a água, mais caro será para será para trazê-la e torná-la potável. Hoje, há o que se pode chamar de uso perdulário da água. Jogam-se fora dezenas de litros de água clorada, fluorentada e tratada só para lavar carros, calçadas ou regar plantas no jardim. É um absurdo usar água nobre para esses fins!" A água, sua preservação e a criação de poços, são assuntos que já deveriam estar sendo tratados com maior seriedade pela sociedade, inclusive como assunto de pautas e temas de campanhas educativas em escolas por todo o planeta. Está na hora de refrearmos aquela gastança compulsiva de água, aprendendo a preservá-la e não poluí-la como sujismundos; temos mais consciência sobre a escassez deste bem tão precioso para milhões de seres na Terra. Não precisamos voltar ao tempo do banho de cuia para evitarmos o desperdício. Fechar as torneiras quando não estivermos usando a água já basta. O seu planeta e a sua água agradecem. |
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