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Poesias Góticas

02

 

UM  ANJO A MINHA ESPERA 

Lá estava ele contemplando a minha chegada

Queria que estivesse ao seu lado

Passaria todos os segredos celeste

E como se não bastasse

Preparou um enorme banquete de trombetas

Para anunciarem  quando eu chegasse 

E acordar todos os guardiões do universo

Para me verem de perto

Pois já há muito tempo previa o tal encontro

E já havia até profetizado esses momentos de alegria

Seria eu um deus vivo  ?

Ou uma outra divindade qualquer ?

Não .

Era apenas uma homenagem a minha própria existência

E permanência de batalhas e lutas na terra.

Era um anjo a minha espera

 

José Nogueira 

 

 

 

A Meia noite, a meia luz

 

Estarei dividindo o mesmo espaço

Neste  túmulo que um dia

Repousaste teu corpo cadavérico  

 

Brindaremos outras existências

Com nossas taças feitas de crânios humanos

Esquecidos por estes tempos modernos

 

E regaremos com vinho vagabundo

Todas as nossas lembranças

Amarguras, dores, amores , e loucuras

 

Esta noite sem fim , é só o começo

De tudo que já vivemos

Evocaremos bruxas, demônios e  deuses do universo

Para este banquete a meia luz

 

Todos serão convidados

E anjos perseguidos por todos os cantos

Serão enforcados , e queimados no juízo  final

 

Aliás satanistas roubando túmulos  recém-ocupados

É o que não faltam por aqui , estamos bem servidos

Neste clube do fogo eterno 

 

José Nogueira

 

A Você minha Alma

 

Incandescente

Permanecente

Que sinto tua existência

Pulsar cada vez mais dentro de mim

Ondes estás aprisionada num corpo

Que não lhe pertence mais

E para você isso é o fim

Sei o que desejas de mim

A morte

Mas ainda tenho a sorte

Ao meu leito que deito

Sem conhecer o futuro

Vivo o presente para os meus entes

Do veneno que escorre dos meus dentes

Cor marfim

Que em algum dia terá  fim

Minha andança

Pelo próprio tempo

Se perdeu entre  pegadas

Ao vento

Sei que talvez um dia partirás

E irás para algum outro lugar

Sem deixar endereço

Mas sei que mereço

Tudo isso

Num novo começo

 

José Nogueira 

 

 

A Voz Satã

   

A aquele que um dia reinou

Por todos os templos do terror e do horror

A aquele que possuiu tua alma por inteiro

Neste teu cheiro putrefato

A aquele que ditou as normas a serem seguidas

Neste mundo das perdições

A aquele que queimou tua existência viva

Com as chamas do teu pecado

A aquele que te guiou

Por todos os teus caminhos e passos

Nesta terra que há de devorar-te por inteiro

A Voz Satã

Entrego-lhe minha vida

Sofrida

Nesta ferida

Contaminada

Granada

Pronta para explodir em pedaços

Em cacos de existência

Nesta minha permanência

Por todo o universo

 

José Nogueira 

 

José Nogueira, Delírio Cotidiano Zine - Caixa Postal 14411, São Paulo, 02199-970 - SP - Brasil.

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